Uma história marcada pela repressão, preconceito, mas ao mesmo tempo motivada por uma fé inabalável que desde o período escravocata manteve firme a identidade de pessoas obrigadas a esquecerem o seu passado.
O apego dos negros a Nossa Senhora do Rosário já tinha sido observado pelos primeiros franciscanos que chegaram a África. Segundo o professor de Relações Étnico-raciais Erisvaldo Pereira dos Santos, os primeiros registros do Reinado do Rosário no Brasil datam do final do séc. XVI, em Salvador, Bahia e teve relativa tolerência por parte da Igreja até metade do séc. XVIII. A partir de então a Igreja Católica apoiada pela elite branca dominante iniciou um processo de romanização das condutas católicas, deflagrando na demolição de diversas igrejas de N.Sa. do Rosário, principalmente em Minas Gerais.
Segundo o professor, um ofício publicado em 1941 por Dom Cabral, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, onde ele condenava e proibia o que definia como “fetichismos africanos”, prometia punição aos padres que apoiassem as manifestações do Rosário.
“Nossas heranças africanas foram anuladas enquanto matriz civilizatória, formadora de subjetivos e imaginários coletivos. Como se reconhecer numa sociedade que ao mesmo tempo exclui a história cultural e nao nos reconhece como membro de seus círculos?” questionou.
Como esforço de desconstruição do preconceito e resignificação da cultura negra no Brasil, foi sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da silva, a Lei 11.465/08, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade do tema “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”, mas ainda é um passo timido frente a opressão cultural sofrida por 500 anos.
Bem-vindo a
Vozes de Mestres


© 2012 Criado por Geovana Jardim.
Você precisa ser um membro de Vozes de Mestres para adicionar comentários!
Entrar em Vozes de Mestres