(foto: Diana Gandra)
O Congado é um das importantes heranças da cultura negra nas Américas, um movimento negro que surgiu ainda no Brasil Colônia, detentor de conhecimentos e saberes que atravessaram gerações e ainda hoje estão no Reinado.
Com essas palavras a doutora em Literatura Comparada pela UFMG, Leda Martins iniciou a mesa “História do Congado pelos Mestres”, que contou com a participação da Capitã Mor da Guarda de Congo N.Sra. do Rosário do Jardim Industrial, Rosemar Coelho, da Capitã da Guarda de Congo Irmandade de N.Sra. do Rosário – Ciriacos, Ana Aparecida Muniz, do Capitão Regente da Guarda de Moçambique do Sagrado Coração de Jesus – Retiro, Vilson Moreira; do Capitão da Guarda de Moçambique Irmandade de N.Sra. do Rosário de Contagem – Arturos, Jorge Antônio dos Santos e também por Pedrina de Lourdes Santos, Capitã da Guarda de Moçambique de no N.Sra. das Mercês de Oliveira-MG.
Um tema que tomou parte das discussões na mesa é compreensão distorcida, que a sociedade cristã apregoa sobre as práticas e saberes das culturas africanas. “O conhecimento negro é visto como algo sombrio visto a proximidade que temos com a natureza e suas forças. Esse negativismo com nossas crenças promovido pela elite dominante fez com que os próprios negros perdessem suas ligações históricas, não se identificando com suas raízes”, analizou a Capitã Pedrina.
“Macumba, por exemplo, é visto como feitiçaria, no entanto é um instrumento musical, que dentre outras coisas servia pra que os negros se conectassem com suas dinvindades, acionando-as”, exemplificou.
Entretanto, como povos submetidos há tanta opressão não se rebelaram contra seus algozes? Segundo Pedrina, os portugueses traziam negros de diversos lugares da África, diferentes línguas e costumes, o que impedia o reconhecimento de unidade por parte dos negros e assim uma possível revolta.
Como forma de se incluírem na sociedade colonial católica e extremamente preconceituosa, os negros se organizaram em irmandades religiosas, quando passaram a ser aceitos pela igreja, mas em templos separados. “As irmandades são o verdadeiro início do movimento negro no Brasil”, revelou Pedrina.
Ela acredita que mesmo para maior diálogo com o poder público, as irmandades e comunidades negras devem se fazer ouvidas, mas por suas próprias formas de comunicação. “É o Estado que deve nos compreender, não podemos perder a nossa essência, a oralidade, para sermos reconhecidos pelo Poder Público”, concluiu a Capitã.
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