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Abertura I Seminário Sobre o Congado de Contagem

Na abertura do I Seminário Sobre o Congado de Contagem alguns pontos em comum ficaram evidenciados em todas as falas: a necessidade de maior aproximaçao entre as Irmandades e maior diálogo com o Poder Público.

O deputado estadual Durval Angelo (PT-MG) sinalizou para importância de uma mobilizaçao em torno das guardas, visando a preservaçao das tradições. “Por muitas vezes o Congado era tudo o que tinha determinada comunidade, ele foi elemento de resistência dos negros frente a marginalização e pobreza”, disse o deputado.

Um dos idealizadores do Seminário, Marcelo Ivo, presidente da Guarda de Congo N.Sra. do Rosário do Jardim Industrial, realçou a importância das 4 maiores Irmandades de Contagem estarem juntas. “Esse é o primeiro trabalho feito para as 4 guardas e mostra que temos condições de nos unir e falar o que somos, principalmente através da cartilha que vamos produzir ao final do Seminário. Somos irmaos do Rosário, finalizou Marcelo.

Hoje as irmandades passam por dificuldades parecidas, como destacou Isabel Cristina, futura Rainha Perpétua dos Ciriacos . “Temos dificuldades principalmente de transporte o que acaba por prejudicar nossa participaçao em diversas atividades.  Esse Seminário é importante para nos unirmos e com a benção de Maria sensibilizar os poderosos”, avaliou.

Entretanto o foco das discussões não deve se restringir as verbas e necessidades estruturais das Irmandades. Para Pedrina de Lourdes, Capitã da Guarda de Moçambique de N. Sra. Das Mercês, em Oliveira-MG, “devemos refletir sobre que somos, mas também de onde viemos e para onde queremos ir. Um povo sem essência perde seu caráter histórico constitutivo”.

Importantes para o reconhecimento histórico de um povo,  instituições públicas como o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de MG (IEPHA)  ainda não dispõem de instrumentos de proteção capazes de identificar as culturas populares do país. Luiz Gustavo Molinari, Gerente de Patrimônio Imaterial do IEPHA ilustra esta realidade ao dizer que o próprio IEPHA iniciou apenas ha três anos o trabalho de reconhecimento do patriômonio imaterial.

Contudo Molinari acrescentou que a aproximação do órgão com as comunidades é fundamental para que o Instituto apure sua política. “Como vamos construir políticas públicas sem ouvir os detentores do saber popular?”, questionou.

 

A abertura do I Seminário Sobre o Congado de Contagem foi encerrada pelo grupo Filhos de Zambi, grupo teatral da Comunidade dos Arturos,  apresentando a peça ABOLIÇÃO, que traz um roteiro crítico e bem humorado sobre os fatos que levaram a abolição dos negros escravos no Brasil.

 

Hoje se iniciam os debates no Seminário. 

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Tags: Imaterial, congado, contagem, cultura, patrimonio, seminário

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