Vozes de Mestres

Gente, como esse povo do sertão gosta de "bater uma prosa"! Conversas sem compromisso, entremeadas de risadas e besteiras. Nada melhor para desopilar o fígado de qualquer cristão estressado. Infelizmente as pessoas da cidade não sabem mais o que é isso, pois a televisão e a Internet acabaram com tudo o que era saudável em matéria de relacionamentos.
Um bom papo à luz de uma lamparina à querosene, ou candeeiro à base de carbureto, são coisas de lembranças apenas. _ Não sabem o que vem a ser isso? Azar de vocês...

Naquela noite, em que a mulher dormiu fora, Seu Jerônimo ficou contando causos até altas horas, enquanto comíamos porções de carne seca com paçoca e manteiga da terra.

Quando a Cícera voltou, no domingo, toda feliz , pois que recebera o "negócio" inteiro do cavalo, ainda fez um almoço para nós. Meio tardio, pois até matar o frango e cozinhar o feijão já era umas quatro da tarde. Mas, valeu a pena: frango refogado com cambuquira de jerimum, farofa, arroz e feijão, depois de duas ou três doses de pinga... divino!

Pelo menos foi esse o adjetivo que meu amigo Ovídio usou para elogiar os dotes culinários da Tia Ciça. De minha parte, comi só a farofa com arroz e feijão, não tocando no frango. Lembrei-mo do primeiro dia, quando chegamos: Estava faminto e praticamente devorei o frango com pirão que a boa mulher já havia preparado, a nossa espera. Comi tanto que me deu dor de barriga e meio envergonhado, perguntei ao Sr. Jerônimo onde ficava o banheiro.

Foi a mulher quem me respondeu: _Fica logo alí fora, Dr. João... _ ela me julgava importante. _Mostra o cajueiro pra ele, Jerônio! Pega o papér que tá na dispensa...

À caminho do cajueiro, levando algumas folhas de papel de embrulhar pão, eu ouvia, espantado, as instruções de Seu Jerônimo: _O doutor fica de cóqui (cócoras), no gáio mais grosso e gruda as mãos no gáio de cima. Enquanto eu seguia para a privada ecológica, percebi que várias galinhas vinham atrás de mim.

Rapaz! Foi um Deus nos acuda... Quando me ajeitei nos galhos, resolvi olhar para baixo: a galinhada estava de bicos escancarados, "esperando a morte chegar" e pulando... na tentativa de me acertar. Corri a esconder minhas vergonhas com as mãos e pensei: _ Se um frango desses me leva as bolas no bico, amanhã vai ter futebol na caatinga!!!

Voltei para a casa, com as folhas de papel intactas e somente tornei ao cajueiro quando já era noite alta. Daí pude observar, sossegado, como é belo o luar do sertão...

E agora...que receita colocar?!

Ia passar uma receita de compota de caju que aprendi em Cuiabá mas, é difícil de explicar. Portanto segue esta receita que é muito boa.

ARROZ COM CASTANHAS DE CAJU:

3 xícaras (chá) de arroz; 1 xícara (chá) de castanhas de cajú moidas grosseiramente; 4 colheres (sopa) de margarina e 4 colheres de uvas passas pretas, sem caroço.

Cozinhe o arroz normalmente, com água fervente, alho e sal mas, deixe-o bem soltinho. À parte, frite, na manteiga a castanha de caju até ficar crocante (mais ou menos 7 minutos). Acrescente as passas e frite mais um pouquinho (até elas ficarem cheinhas). Misture tudo ao arroz, delicadamente e espalhe cheiro verde por cima.

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O causo é muito bom e a receita então? Me encheu a boca d'água.
Um grande abraço
Mirian

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