Vozes de Mestres

Bumba meu boi é um termo muito usado no Maranhão pra designar todas as manifestações Maranhenses ligadas ao ciclo do Boi (Nascimento-batismo, Morte e Ressureição do Boi).
A narrativa está ligada à lenda de Catirina e Pai Francisco, cuja versão básica mostra que a Grávida Catirina pede ao seu prestimoso marido a lingua do boi mais precioso de seu patrão (tipico coronel nosrdestino). Pai Francisco obecede, mata o boi e tira sua língua pra deleite de sua amada.
O coronel assim que descobre, manda matar o ousado empregado. Ocorre uma perseguição e assim que captura o empregado, na iminência de sua execução, surge a figura do pagé, que faz uma pagelança e ressuscita o boi. E tudo fica em paz. É o encontro da trilogia de nossa r">

Tags: Boi, Bumba, Maranhão

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Respostas a este tópico

O folguedo do boi é a própria representação da nossa miscigenação (de raças, culturas e religiões). Vezes visto como um auto sertanejo, hora como remontagem das figuras do presépio, aliando-se a outras manifestações como os reisados e galantes.
Corte portuguesa + realidade do mestiço brasileiro - que teve que agregar para si e recriar tradições, religiões e comportamentos misturados.
Para mim esta manifestação retrata o nascimento da raça brasileira. Talvez até da cultura.

Temos o Mateus e o Bastião em algumas representações, postos como palhaços, Mateus às bixigadas!!! Referências da commédia del'arte. Os caboclos que dançam a exemplo de animais, como a gaivota, a águia e a serpente.

Particularmente, gosto muito do Cavalo-Marinho, o Boi de Pernambuco. Muito acelerado e com sua representação de personagens fantásticos, como a cobra que traz ervas de proteção, o morto-vivo, a velha...

Abraço
Oi Lucila, tenho ido ao Maranhão nos ultimos 3 anos a seguir os cortejos juninos do Bumba Boi. E o que mais rico pude perceber é que realmente o encontro das tres etnias está presente desde os personagns (Pai Francisco, Catirina, fazendeiro-amo, indias e caboclos de pena indígenas e caboclos-vaqueiros, como também nos elementos ritmicos da matraca, onde o tempo do dois (tipicamente indigena) é misturado ao três (de origem ibéro-arabe assim como o pandeirão). Nas batidas dos pandeirões esticados ao fogo, todos os tempos das três etnias se misturam, num efeito extraordinário. Gritos tipicamente indígena são misturados a canções afro-ibéricas. Nenhum ritmo brasileiro é mais misto que o boi do maranhão. É realmente oncrivel que até nos passos da dança dos batalhões a mistura étinica acontece. Sou apaixonado por essa extraordinária criação da cultura maranhense. Cultura afro-lusa-flamenga-francesa-indigeno-brasileira.

Ehhhhh boi...!
Ainda não tive o prazer de visitar o Maranhão, mas aqui em Curitiba temos um pouco de contato com a cultura através do Mundaréu, grupo que trabalha com diversas manifestações. Itaercio Rocha, nascido no Maranhão, encabeça o grupo e desenvolve oficinas aqui.
Oi, Zé,

E vc já comparou as diversas manifestações do boi (Bumba-meu-boi, Bumbá, Cavalo-Marinho, Mamão...)?
Tive contato maior com os do Maranhão e Pernambuco.
Achei na internet este site q compara superficialmente os 'bois' brasileiros:
http://www.rosanevolpatto.trd.br/lendaboibumba1.htm

Abraço, êêê boi
olá! sou maranhense, apaixonada por minha terra e fico contentíssima em ver como falam do nosso boizinho com tanta admiração.

e concordo com você: nenhum ritmo brasileiro é mais misto que o boi do maranhão! mais fantástico ainda é ver suas variantes, ver como dentro dessa mistura de costumes que é o bumba-boi originam-se identidades diversas por caracterizarem um toque diferente, um espaço de origem, um instrumento existente, resultando nossos diversos sotaques de bumba-meu-boi: sotaque da baixada, de matraca (ou "da ilha"), zabumba, costa de mão, orquestra...cada um com sua identidade(ou identidades!).

é realmente fascinante!!!
Esse som vem do Marrocos, é um genero musical chamado Gnawa. Olhem q curioso como tem elementos que se parecem com o bumba meu boi sotaque de matraca...

olha só os pandeirões do Marrocos e o tempo de tres das matracas:


Aqui vai mais uma amostra do universo do Pandeirão. No caso é um Trio formado por dois Kurdos (Ardesshir tocando Kamancheh/tipo de violino com cabaça e Hossein com Daf /pandeirão do oriente médio) e Mathaios músico grego tocando uma Lyra/pequeno cello).
Hossein é um extraordinário percussionista kurdo e faz do pandeirão (Daf) um instrumento de fraseados sofisticadíssimos.
"O som navega por todo o mundo e não tem começo e nem fim".

Olhem só o video de um Boi sotaque de Baixada. a marcação básica é feita pór uma zabumba e não um grande pandeiraõ (o tempo é de 2). Notem as figuras míticas dos Cazumbás com ornamentos incríveis em suas cabeças.

Este é o Boi de Maracanã um legítimo BOI SOTAQUE DE MATRACA


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